Reflexões
Escola de Educação Básica – Currículo para a Educação Tecnológica?
Uma escola conseqüente que pensa e responsabiliza-se pelos seus desdobramentos
data: 02/2003
Carlos Rivera Ferreira
Marcia Augusta Marinho Petrone
Nossa concepção de Educação e Tecnologia vai além da mera reprodução de processos tecnológicos, ou ainda, do ensino de técnicas ou da produção de artefatos tecnológicos. Talvez por isso, ousaremos a partir de agora, nomear Educação Tecnológica.
Pensar em formação humana e tecnologia é pensar em desenvolvimento humano.Portanto, no desenvolvimento do pensamento humano.
Este sim é o que cria e recria, pensamentos, atitudes, sentimentos e conhecimentos.Como isso acontece?
Na vida com toda a sua simplicidade e ao mesmo tempo, intrincada em sua imensa complexidade de relações, nos desenvolvemos por meio de movimentos operatórios, aqueles novamente, os movimentos do pensamento. E assim, percebemos, sentimos, captamos e até interpretamos nosso mundo.
Esses movimentos são os movimentos da imaginação, experimentação, comparação, hipotetização, expressão, análise, crítica, síntese, dentre outros.Ainda que pareça ser tão natural e espontâneo, quando estudamos sobre o assunto, descobrimos sua complexidade e nos deparamos com a importância das instituições – escola, família, meio no desenvolvimento de nossa inteligência.
Como pensar na escola nesse contexto?Nos parece estar diante do espaço mais apropriado para tal desenvolvimento.Não é nele que encontraremos os saberes multidisciplinares?
Os conceitos, as técnicas e procedimentos, as formas de organização e estudo desses saberes? E não é nele que deveria estar presente a base, ou seja, os valores para a vida humana e a construção e reconstrução dos nossos projetos de vida ?
Na disciplina ao estudar, na sistematização das idéias, na organização minuciosa da busca de informações e dos processos de comunicação, poderemos avançar nas descobertas. Do pensamento comum ao pensamento sistematizado, todos na escola são responsáveis pela participação, ou mais, na interatividade e possibilidade de intervenção de nossa realidade.
Pois, em última instância vivemos no que criamos, somos expectadores ao mesmo tempo em que, autores.Refletindo sobre isso, observando nossos próprios filhos, pensamos em uma escola mais conseqüente, mais integrada e integradora. Mais atuante do que expectadora.
Uma escola um tanto mais inconformada, que se auto viabiliza como laboratório, que experimenta o novo, no sentido de nela deixar emergir as condições próprias do humano, a curiosidade a criação, a ousadia.
Não se trata de banalizar a escola, ou torná- la espontaneísta. Trata – se de colocar- se a serviço do próprio homem, organizando- a de uma forma diferente, com objetivos mais palpáveis.
E por que não dizer mais atraentes, significativos e produtivos? |